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Você é uma pessoa assertiva?

Assertividade diz respeito à habilidade de dizer coisas e idéias, de expressar opiniões e desejos de uma forma transparente, clara e direta, mas sempre respeitando seu interlocutor.

 

Poderíamos simplificar dizendo que ser assertivo é entrar em uma negociação levando em consideração os interesses de ambas (ou mais) partes envolvidas, de forma a nos habilitarmos na busca de uma posição consensual. Não precisa necessariamente ser ótimo pra mim e nem para o outro, desde que seja bom para ambos. O objetivo é um jogo de ganha-ganha onde o único resultado que interessa é que seja satisfatoriamente bom para os dois… não vale um ter que perder para o outro ganhar. Por mais tentadora que seja essa perspectiva, nem sempre é tão fácil assim.


Assertividade enquanto conduta a ser adotada na prática traz exigências mais profundas, uma vez que uma atitude assertiva pede a construção de uma estrutura psicológica que a sustente a contento. Para ser assertivo é preciso saber o que se quer, conhecer seus direitos e deveres, conhecer seus potenciais e limites, saber expressar-se com transparência, lógica e com boa argumentação. Mas é também necessário ser flexível, saber ouvir o que o outro tem a dizer (com a devida atenção e respeitando seu ritmo) e, sobretudo, ser empático permitindo assim, colocar-se no lugar do outro e procurar entender o mundo através de seus olhos…


Só a partir de uma perspectiva assertiva, é possível acreditar na construção de um cenário sustentável a longo prazo. Ao ser assertivo e fomentar a assunção de um desenlace conciliatório para as negociações nas quais me envolvo, eu estarei investindo na manutenção dessas relações de forma salutar, tanto para mim quanto para o outro.


E quais são as manifestações de atitudes não assertivas? Existem basicamente duas: a passividade (ou inassertividade) e a agressividade.


Existem pessoas que por não conseguirem ser assertivas e por receio de magoar ou afastar quem gostam ou de quem dependem, acabam deixando-se levar pelo desejo ou objetivo do outro sem enfrentamento, tornando-se passivos aos desejos alheios. Fazem isso por muito tempo até que chega um momento em que simplesmente não agüentam mais, não tem mais energia vital para continuar bancando o custo dessas relações e acabam tomando atitudes drásticas que muitas vezes culminam justamente no rompimento com aquelas pessoas que elas tanto receavam afastar ou magoar. Exemplos típicos são pedidos de divórcio ou demissão, afastamento de amigos, ou mesmo adoecimento.


No outro extremo, existem os agressivos, pessoas que não investem na empatia com aqueles com quem lida e acabam forçando seu ponto de vista a qualquer custo. Partem de um pressuposto que estão sempre certas ou que tem o direito de fazer com que as coisas aconteçam da maneira que querem. Não é difícil entender que essa atitude também não é sustentável e que, mais cedo ou mais tarde, aqueles que se submetem a seus caprichos vão se cansar e vão deixá-lo falando sozinho… literalmente, visto que a solidão e o abandono podem vir a ser o destino de pessoas altamente inflexíveis.


Em resumo, acreditamos que a grande “sacada” da assertividade é justamente a possibilidade de investir na sustentabilidade a longo prazo das relações. O imediatismo que tange tanto a atitude do passivo que se “vende fácil” a vontade do outro em prol de não entrar em atrito, ou do agressivo que “atropela” o outro por estar sempre com a razão, são ambos meio caminho andado para não fortalecer este vínculo que, em algum momento, exigirá ajuste para que essa relação não míngüe ao sabor da insustentabilidade.


Por fim, vale ressaltar que a assertividade tem mais uma característica interessante e muito positiva: ela se retroalimenta dentro de uma relação, ou seja, ao ser assertivo você “convida” que o outro também o seja e assim ele devolve essa perspectiva a você e assim por diante, fortalecendo a possibilidade crescente de sua expressão e a conseqüente sanidade deste vínculo.


E você… está conseguindo ser assertivo nos seus contatos com o mundo? Que tal ampliar ainda mais essa competência no seu cotidiano?

Por Flávio Mesquita - Psicólogo Cognitivo-Comportamental