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Compreendendo a Síndrome do Pânico

A síndrome do pânico é entendida como um conjunto de alterações fisiológicas, comportamentais e emocionais. Os chamados ataques, ou crises de pânico caracterizam-se por reações súbitas e intensas do sistema nervoso simpático que desencadeiam taquicardia, dificuldade de respirar, boca seca, tremores, sudorese, tonteira, vertigens, pernas bambas, náusea, formigamento, medo de perder o controle, desmaio, terror (sensação de que algo terrível irá acontecer) e medo de morrer. Os ataques têm seu ápice por volta de dez minutos após o início, podendo durar até uma hora.


Por vezes, o transtorno do pânico se apresenta associado a outros transtornos, como de ansiedade generalizada ou especifica (como agorafobia), depressão, transtorno obsessivo compulsivo (Ver NIMH - National Institute of Mental Health). De acordo com alguns relatos de clientes que iniciam o tratamento, os ataques surgem aparentemente "do nada", como pode ser visto a seguir:


"De repente, eu senti uma terrível onda de medo, sem nenhum motivo. Meu coração disparou, tive dor no peito e dificuldade para respirar. Pensei que fosse morrer."


De acordo com o Instituto Nacional de Saúde Mental do EUA, entre 2 e 4% da população mundial sofre com o transtorno de pânico. A prevalência é maior nas mulheres, numa proporção de 2:1 em relação aos homens. Os primeiros ataques, geralmente, são visto no final da adolescência e inicio da vida adulta, mas os riscos de se ter um ataque de pânico não se restringe a estas faixas etárias.


As histórias típicas das pessoas que tiveram ataques de pânicos são de uma vida normal até a ocorrência do primeiro ataque. Depois disso, suas vidas pessoais, profissionais e afetivas ficam comprometidas (Bernik e Range, 2001). Isso porque os lugares em que ocorreram os ataques de pânico, normalmente, passam a ser evitados, o que leva a restrições importantes quanto às atividades profissionais e pessoais.


"Tenho tanto medo. Toda vez que me preparo para sair, tenho aquela desagradável sensação no estômago e me aterrorizo pensando que vou ter outra crise."


É nesse momento que outros problemas comportamentais podem surgir, tais como, depressão, ansiedade generalizada, agorafobia, ou uso indiscriminado de psicotrópicos.

Fatores influenciadores


As causas dos ataques de pânico estão relacionadas, principalmente, a fatores ambientais/históricos (acontecimentos ao longo da vida) e sócio-culturais. Os fatores filogenéticos não explicam os acontecimentos, visto que as reações do sistema nervoso simpático, que surgiriam, geralmente, diante de perigos reais, aparecem em situações que não existe perigo. Assim, compreender a história de vida daquele que tem o transtorno do pânico é fundamental para o seu tratamento. Normalmente, as pessoas que sofrem de ataque do pânico costumam apresentar muitos aspectos em comum (Bernik e Range, 2001):



a) são pessoas extremamente produtivas no nível profissional;

b) costumam assumir uma carga excessiva de responsabilidades e afazeres;

c) são muito exigentes consigo mesmas e não convivem bem com erros ou imprevistos;

d) são perfeccionistas com excessiva necessidade de estar no controle e de ter a aprovação dos outros;

e) têm tendência a se preocupar demais com os problemas do dia a dia;

f) possuem alto nível de criatividade;

g) possuem auto-expectativas extremamente altas e tem fortes regras;

h) não sabem diferenciar seus sentimentos; e

i) tem uma grande tendência à não perceber suas necessidades físicas.

Outras características que têm sido observadas naqueles que desenvolveram o transtorno são a privação afetiva, a dependência emocional e a passividade nas relações interpessoais.

Tratamento indicado
 

Muitas pessoas com o transtorno de pânico acreditam que as crises podem ser passageiras e circunstanciais, não buscam e/ou não recebem apoio da família e demoram a procurar tratamento especializado. Essa demora compromete o quadro, produzindo aumento na freqüência dos ataques/crises, bem como o aumento das limitações na vida da pessoa. Além disso, por não saberem qual profissional procurar e por não entenderem as reações físicas que estão sentindo, procuram os prontos-socorros, onde nem sempre há um profissional de saúde que pode apresentar um diagnóstico preciso.


O acompanhamento médico pode ser necessário, todavia a psicoterapia, com destaque para terapia comportamental, tem se mostrado extremamente eficaz no tratamento de indivíduos com transtorno do pânico. A terapia cognitiva-comportamental (TCC) objetiva a promoção de auto-conhecimento, levando a pessoa a compreender eventos na sua vida que desencadeiam e/ou mantém o pânico e prol de sua melhora e controle.
 

Referências

Bernik, M e Range B. (2001) Transtorno de Pânico e Agorafobia.

Em Range B. (Org.), Psicoterapias Cognitivo-Comportamentais.

Porto Alegre: ArtMed Editora.

NIMH - National Institute of Mental Health - in http://www.nimh.nih.gov/publicat/anxiety.cfm

InPA - Instituto de Psicologia Aplicada.

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